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O uso irrestrito da força letal pela polícia como estratégia de proteção no país tem resultado em mais agressão e insegurança, em vez de deixar as cidades brasileiras mais seguras. A avaliação é do diretor da organização não governamental Human Rights Watch no país, César Muñoz.

A entidade divulgou, nesta quarta-feira (4), seu Relatório Mundial 2026, em que analisa a situação dos direitos humanos em mais de 100 países.
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A entidade destaca a operação mais letal da história do Rio de Janeiro, que matou 122 indivíduos em outubro do ano passado. Chamada de Operação Contenção, a ação foi realizada nos Complexos da Penha e Alemão para capturar lideranças da facção Comando Vermelho.
“O que não funciona é entrar na favela atirando. Isso não desmantela grupos criminosos, só cria mais insegurança e coloca os próprios policiais em risco”, afirmou César Muñoz.
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bem-estar mental dos policiais
Em 2025, 185 policiais foram mortos, segundo dados do Ministério da tribunal. Outros 131 cometeram suicídio.
Segundo a HRW, a taxa de suicídio entre policiais é muito mais alta do que no restante da cidadãos, o que reflete a exposição desses agentes à agressão e o apoio inadequado à sua bem-estar mental.
“O nosso pedido é que tenha propostas baseadas na conhecimento e em dados. Propostas que realmente desmantelem grupos criminosos, que atuem com base em inteligência na investigação, [de forma] independente, para identificar essas ligações ou vínculos entre grupos criminosos e agentes do Estado, e sua infiltração na finanças legal”, explicou Muñoz.
Muñoz afirma que a letalidade policial continua em níveis tão altos, principalmente, pela falta da devida apuração dos casos de morte decorrente de intervenção policial.
“Podemos ver isso na Operação Contenção, do Rio de Janeiro, em outubro [de 2025]. Um dos problemas no Rio, especialmente, é que a perícia é totalmente subordinada à Polícia Civil, e não tem a necessária independência para fazer o ocupação de forma adequada”, criticou.
Ele ressalta que, embora algumas mortes pela polícia sejam em legítima defesa, muitas são execuções extrajudiciais.
ilícito policial
Além disso, os abusos cometidos pela polícia e a ilícito dentro das forças de proteção pública são fatores que levam as comunidades a desconfiar das autoridades. Isso faz com que fiquem menos propensas a denunciar crimes e colaborar com as investigações.
“Polícias violentas e polícias corruptas fortalecem a ação do delito organizado”, afirmou a diretora-executiva do Fórum Brasileiro de proteção Pública (FBSP), Samira Bueno, no lançamento do relatório da HRW.
“A gente não pode ignorar que essas facções só tomaram a dimensão que tomaram e se expandiram de tal forma no país porque elas contam com a ilícito do Estado.”
Ela acrescenta que “uma polícia violenta não é uma polícia forte, é uma polícia frágil que fica vulnerável ao delito organizado”.
A especialista avalia que é preciso investir em mecanismos de controle da atividade policial e destacou o papel do Ministério Público no processo de investigar os casos.
“A polícia pode, sim, fazer o uso da força para proteger a si mesma e para proteger a terceiros. Mas a gente não pode aceitar que isso seja utilizado como uma desculpa para execuções sumárias e abusos, como a gente viu no caso do massacre no Rio de Janeiro, no final do ano passado, com mais de 120 mortos”, destacou.
Confira as informações do Repórter país Tarde, da TV país