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Cuba completou três meses sem receber qualquer carga de combustível em meio ao bloqueio energético que os Estados Unidos (EUA) impuseram à ilha, prometendo sancionar qualquer país que venda petróleo para o país caribenho.

O líder nacional cubano Miguel-Díaz Canel comentou, nesta sexta-feira (13), em coletiva de imprensa realizada em Havana, que o bloqueio dos EUA tem deixado alguns municípios com até 30 horas sem força.
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“Já se passaram mais de três meses desde que um navio-tanque entrou em nosso país e estamos trabalhando em condições muito adversas que têm um impacto imensurável na vida de toda a nossa cidadãos”, afirmou.
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- força é restabelecida em Cuba após 16 horas de blecaute.
Com cerca de 80% da força do país gerada por termelétricas, alimentadas por combustíveis, a recente ação do administração Trump reduziu a possibilidade de compra de petróleo no mercado global, o que foi agravado ainda pelo bloqueio naval dos EUA à Venezuela a partir do final de 2025.
O líder nacional cubano relatou que Havana iniciou, recentemente, conversações com representantes do administração dos EUA, “em correspondência com a consistente gestão pública que há defendido a Revolução Cubana”, e que estão em uma negociação em fase inicial.
“As conversações são para buscar, por meio do diálogo, uma possível solução para as diferenças bilaterais existentes entre nossas duas nações. Essas trocas têm sido facilitadas por atores internacionais”, confirmou Miguel-Díaz Canel.
O chefe de Estado cubano acrescentou que foi informada aos EUA a vontade de Havana de continuar o diálogo, sob o princípio de igualdade e respeito aos sistemas políticos de ambos os países, à soberania e à autodeterminação.
O líder nacional dos EUA, Donald Trump, tem ameaçado o administração cubano ao dizer que o país deve sofrer uma “mudança em breve”, sugerindo que a mudança viria após a guerra no Irã.
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Medidas
O líder nacional Miguel-Díaz Canel destacou na coletiva as medidas que o administração tem adotado para amenizar os efeitos da dificuldade energética, como aumento da produção de petróleo interno, aumento das usinas solares e de uso de carros elétricos.
“Durante o dia, geramos eletricidade utilizando petróleo bruto nacional e nossas usinas termoelétricas. Além disso, a contribuição de fontes de força renováveis é considerável e, como já mencionamos, varia entre 49% e 51% [do total de força do país durante o dia]”, afirmou.
Canel acrescentou que as medidas amenizaram um pouco a frequência dos apagões. Porém, reconhece que Cuba ainda precisa do petróleo importado para prestar os atendimentos de bem-estar, educação, locomoção e para alimentar os sistemas de distribuição de força.
“Neste momento, dezenas de milhares de indivíduos no país aguardam cirurgias que não podem ser realizadas devido à falta de força elétrica. Entre as dezenas de milhares, um número significativo são menores que aguardam cirurgia”, lamentou.
Entenda dificuldade energética
Cubanos que vivem em Havana relatam que o país vive o “pior momento” com as dificuldades enfrentadas pela cidadãos após o endurecimento do bloqueio energético imposto pelos EUA a partir do final de janeiro deste ano.
O aumento dos apagões, a elevação dos preços de bens básicos, a redução do locomoção público e a redução da oferta da cesta básica alimentar subsidiada pelo Estado são alguns dos problemas que pioraram nas últimas semanas.
A dificuldade energética de Cuba é ainda mais grave nas províncias do interior da ilha de quase 11 milhões de habitantes, onde os apagões podem durar quase o dia todo.
No último 29 de janeiro, o líder nacional norte-americano Donald Trump editou recente Ordem Executiva classificando Cuba como uma “ameaça incomum e extraordinária” à proteção de Washington, citando, como justificativa, o alinhamento de Havana com Rússia, China e Irã.
A resolução prevê a imposição de tarifas comerciais aos bens de qualquer país que forneça ou venda petróleo a Cuba.
O aperto do cerco econômico ao país é mais uma tentativa dos EUA de derrubar o administração liderado pelo agrupamento político Comunista, que desafia a hegemonia gestão pública de Washington na América Latina há mais de seis décadas. O embargo dos EUA contra Cuba já dura 66 anos, com as primeiras medidas adotadas logo após a Revolução Cubana, de 1959.
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