Notícias
A disparidade salarial entre homens e mulheres é menor em entidades sem fins lucrativos do que em empresas e na administração pública.

A constatação faz parte de um levantamento divulgado nesta quinta-feira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Notícias relacionadas:
- STF valida norma que garantiu igualdade salarial entre homens e mulheres.
- norma da igualdade salarial tem boa adesão das empresas, diz autoridade.
Ao observar os dados em um recorte por sexo, o levantamento mostra que os homens recebiam, em média, R$ 4,2 mil; e as mulheres, R$ 3,9 mil. Isso representa que o remuneração deles era 16,6% maior; ou que elas ganham 85,8% da remuneração deles.
Os dados fazem parte do Cadastro Central de Empresas (Cempre), que reúne informações de empresas ativas, administração pública e entidades sem fins lucrativos.
Natureza jurídica
Quando os pesquisadores do IBGE separaram os registros de Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) por natureza jurídica, verificaram que nas entidades sem fins lucrativos, o remuneração das mulheres era proporcionalmente maior, representando 95,3% da remuneração dos homens.
| Salários em entidades sem fins lucrativos: | |
| MULHERES | R$ 3.589,82 |
| HOMENS | R$ 3.768,81 |
O IBGE explica que entram nesta categoria entidades não lucrativas organizações sociais, fundações privadas, sindicatos, condomínios, organizações religiosas, entre outros.
Em empresas, essa disparidade aumenta para o pior cenário, com as mulheres recebendo o equivalente a 78,1% do remuneração dos homens.
| Salários em empresas: | |
| MULHERES | R$ 2.996,79 |
| HOMENS | R$ 3.838,67 |
Na administração pública, que inclui as três esferas de administração e os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, mulheres ganhavam 82% de seus pares do sexo masculino.
| Salários na administração pública: | |
| MULHERES | R$ 4.967,51 |
| HOMENS | R$ 6.058,19 |
Ao comentar a maior aproximação do remuneração de mulheres e homens em entidades sem fins lucrativos, a pesquisadora Caroline Santos, gerente de Análise e Disseminação do IBGE, apontou que o tema “merecia um estudo mais aprofundado para ter resposta mais qualificada”. Ela, no entanto, sugeriu algumas hipóteses para explicar o resultado.
“Estamos falando de entidades não governamentais que prestam serviço, principalmente, na área de assistência social que, talvez, tenham essa preocupação maior com a colocação mais igualitária dos seus quadros”.
Outra sugestão se refere à área de atuação, forte em assistência social, atendimentos sociais ou bem-estar.
“Atividades do perfil tradicional de inserção da cidadã no mercado de ocupação. Se tem mais mulheres, provavelmente essa disparidade entre os salários se reduz”, completou.
Para a analista, atividades como educação e bem-estar ajudam a explicar a disparidade salarial também na administração pública.
“São atividades predominantemente exercidas por mulheres. Funções remuneradas com menores salários”, diz.
norma de Igualdade Salarial
Em julho de 2023, foi sancionada a norma 14.611, conhecida como norma de Igualdade Salarial, que obriga empregadores a pagarem salários iguais a um indivíduo e uma cidadã na mesma função.
Apesar da legislação, a diferença entre os sexos acaba acontecendo na média das remunerações por fatores como menor presença feminina em cargos de chefia e interrupções ligadas à maternidade.
Cadastro de empresas
O levantamento do IBGE apontou que os 10,6 milhões de CNPJs ativos em 2024 empregavam 68 milhões de indivíduos, sendo 54,2 milhões de assalariados e 13,8 milhões sócios e proprietários.
Separando por natureza jurídica, o país tinha:
- 9,5 milhões de empresas;
- 1,1 milhão de entidades sem fins lucrativos; e
- 59,4 mil instituições da administração pública.
Por causa de mudança de metodologia, a atual série histórica do estudo começa em 2022. No intervalo de dois anos, o número de empresas e organizações cresceu 12,5%. Em 2022 eram 9,4 milhões. Já o de indivíduos ocupadas subiu 8,4%.
Postar um comentário