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Em sua oitava edição, o Rio2C é um dos espaços que ajudou a difundir o debate sobre a dimensão econômica da tradição e sua importância para o desenvolvimento do país.

Idealizador do evento, que terminou no último domingo (31), no Rio de Janeiro, com um balanço de 55 mil participantes, Rafael Lazarini acredita que o encontro vive hoje um momento de maturidade institucional e de reconhecimento da finanças criativa como agenda estratégica para o país.
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Em entrevista exclusiva à Agência país, Lazarini falou sobre a trajetória do encontro, o avanço da finanças criativa no país, o conceito de soft power e os impactos da inteligência artificial na produção cultural.
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Leia a entrevista completa
Agência país: O Rio2C nasceu ligado ao audiovisual e hoje reúne diversos segmentos da finanças criativa. Como aconteceu essa transformação?
Rafael Lazarini: A gente nem chama de evento. A gente chama de encontro e movimento. O Rio2C surgiu originalmente ligado ao audiovisual e, ao longo dos anos, fomos aproximando outros setores das indústrias criativas, como melodia, games, publicidade, moda, arquitetura e design. Hoje, ele se tornou uma mistura de conferência, mercado de negócios e festival.
Agência país: Você costuma defender que tradição também é indústria. Essa visão ainda enfrenta resistência?
Lazarini: Enfrentava muito mais no começo. Quando começamos a falar de finanças criativa, causava estranhamento. Parecia quase impuro misturar tradição e indústria. Mas a criatividade também gera ocupação, renda e desenvolvimento. Hoje, vemos secretarias de tradição se transformando em secretarias de finanças criativa. Isso mostra uma mudança relevante de mentalidade.
Agência país: O Rio2C também passou a discutir com mais intensidade o conceito de soft power. O que significa isso?
Lazarini: Soft power é a capacidade de um país influenciar o planeta pela tradição, pela expressão, pelo audiovisual, pela melodia, pela imagem que projeta. Hollywood fez isso com os Estados Unidos durante décadas. A Coreia do Sul também entendeu isso muito bem recentemente. O país sempre teve uma potência cultural enorme, mas muitas vezes sem planejamento estratégico.
Agência país: O país vive hoje uma mudança nesse entendimento sobre tradição e desenvolvimento?
Lazarini: Sim. Acho que estamos chegando num nível de maturidade dessa discussão. A tradição deixou de ser vista apenas como expressão simbólica. Hoje ela também é entendida como geração de riqueza, ocupação, inovação e projeção internacional.
Agência país: O tema deste ano do Rio2C foi “Code of Meaning” (Código de Sentido, em inglês). O que motivou essa escolha?
Lazarini: A gente quis provocar os criadores a refletirem sobre propósito. Vivemos uma avalanche de conteúdo, muito dele produzido por inteligência artificial. Então a pergunta é: o que realmente importa? O que faz sentido? Existe uma necessidade crescente de voltar ao pensamento criativo original, à troca humana, à intuição.
Agência país: O Rio de Janeiro ocupa um lugar central nessa construção?
Lazarini: Sem dúvida. Uma das nossas grandes missões era reposicionar o Rio de Janeiro como capital cultural e criativa do país. O Rio perdeu espaço político e econômico ao longo do período, mas a vocação criativa da cidade continua muito forte. O Rio2C ajuda a fortalecer essa percepção de que criatividade também é desenvolvimento.
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