Arqueóloga Niède Guidon morre aos 92 anos

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A arqueóloga Niède Guidon, que dedicou sua vida à investigação e à preservação da Serra da Capivara, no Piauí, morreu nesta quarta-feira (4) aos 92 anos. A informação foi divulgada nas mídias sociais do parque. A causa da morte não foi informada.

Ela revelou ao planeta as pinturas rupestres do parque que mudaram o conhecimento sobre o povoamento das Américas.

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“Com coragem, paixão e compromisso com a conhecimento, fundou a Fundação Museu do indivíduo Americano (FUMDHAM) e lutou por décadas para proteger e divulgar a riqueza arqueológica do país. Sua trajetória deixa um legado imensurável para a conhecimento, a tradição e a memória do nosso país. Seu nome está eternamente gravado na história”, diz comunicado do parque.

No ano passado, a arqueóloga recebeu o Prêmio Almirante Álvaro Alberto 2024. A premiação, concedida anualmente pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Ministério da conhecimento, inovação e Inovação (MCTI) e Marinha do país, é um reconhecimento aos cientistas brasileiros que contribuíram de forma significativa para a conhecimento e inovação do país e se deu durante a Reunião Magna da Academia Brasileira de Ciências (ABC).

Esse foi mais um título para a cientista que já foi condecorada com a Ordem do Mérito Científico, Grã-Cruz, do MCTI; além de ter conquistado o Green Prize, da organização pacificista e ecológica Paliber; o Prêmio Príncipe Klaus, do administração holandês; o Prêmio Fundação Conrado Wessel de tradição; o prêmio Cientista do Ano, da Sociedade Brasileira para o Progresso da conhecimento (SBPC); o Prêmio Chevalier de La Légion d'Honneur, do administração francês.

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Segundo o CNPq, ao longo de sua carreira, Niède identificou mais de 700 sítios pré-históricos, entre os quais 426 paredes de pinturas antigas e evidências de habitações humanas antigas na área da Serra de Capivara, no Piauí.

Repercussão

A escritora Adriana Abujamra, autora do livro Niéde Guidon — Uma Arqueóloga no Sertão, afirma que a especialista fez uma revolução feminina no interior do Piauí ao chegar no local, na década de 1970. 

“Ela proporcionou uma revolução das mulheres. Ela contratou só mulheres para porteiras do parque. A chefe do parque hoje era uma menina quando a Niède chegou. Ela foi inspirada pela Niède. Ela falava em proteção do natureza numa época em que pouca gente falava disso. Se não fosse o ocupação dela, talvez nem tivéssemos as pinturas rupestres e a fauna e a flora preservadas”.

Segundo Adriana, Niède chamou a atenção para a significativa resiliência da caatinga e mudou os rumos não só da arqueologia como de toda a região.

“Ela colocou o país no mapa da discussão da arqueologia do planeta na questão da ocupação das Américas por mais controversa que fosse a posição dela naquela época. A importância dela vai muito além da arqueologia. A Niède transformou aquela região. A primeira instituição de educação federal no interior do Nordeste existe em São Raimundo Nonato pelo afinco dela”.

Em nota, o administração do Piauí afirmou que a arqueóloga transformou milhares de vida na caatinga e seu legado estará sempre na memória e no coração dos piauienses. Segundo o comunicado, desde 1973, quando chegou à região da Serra da Capivara, Niède mudou os rumos da arqueologia brasileira e do primeiro registro do indivíduo americano nas Américas, Ali, ela encontrou a riqueza de mais de mil sítios arqueológicos e pinturas rupestres datadas de até 12 mil anos de idade.

 “Tornou sua missão o reconhecimento destas riquezas e transformou a vida de sertanejos com diversos programas sociais. Para ela, desenvolver e prosperar o Parque Nacional da Serra da Capivara era sinônimo de melhorar a vida de cada piauiense que por ali se encontrava”, diz o administração.

 O diretor do Museu Nacional da instituição de educação Federal do Rio de Janeiro, Alexandre Kellner, afirmou que recebeu com enorme consternação a notícia do falecimento de uma das principais arqueólogas do país.

“As contribuições realizadas pela professora Niède Guidon ficarão reverberando por bastante período, não apenas no campo da arqueologia, mas também em todos aqueles que atuam para a preservação do patrimônio científico, histórico e cultural do nosso país”.

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