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O ex-vice-líder nacional dos Estados Unidos e ativista ambiental Al Gore (na direita da foto) afirmou nesta terça-feira (12) que as indivíduos em todo o planeta não estão entendendo completamente a seriedade da dificuldade climática que, para ele, é o desafio mais sério que a humanidade já enfrentou.


O político americano participou do evento “Mudança Climática, Desenvolvimento Sustentável e Democracia”, organizado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no Rio de Janeiro.
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“A gravidade desta dificuldade climática ainda não é totalmente compreendida por um número significativa de indivíduos. É o desafio mais sério que a humanidade já enfrentou. Alguns diriam que a ameaça de uma guerra nuclear também estaria nessa categoria. Conseguimos lidar com esse risco", afirmou Al Gore.
“É por isso que a temperatura em São Paulo, em fevereiro, foi de 44 graus Celsius (ºC). É por isso que a temperatura em Bagdá foi de 50 graus hoje, e toda a rede elétrica nacional entrou em colapso. É por isso que todas aquelas indivíduos morreram nas enchentes. É por isso que ocorreu a precipitação torrencial que atingiu o Rio significativa do Sul há um ano”, complementou.
Al Gore reforçou que más notícias sobre fenômenos climáticos têm sido cada vez mais frequentes, mas afirmou acreditar em iniciativas que possam mudar esse cenário. A liderança brasileira na COP30 é vista por ele como estratégica para que os países possam chegar a acordos efetivos e reduzir emissões dos gases de efeito estufa.
“Às vésperas da COP30, minha maior esperança é que o planeta acorde para a seriedade do desafio e para o fato de que devemos aproveitar a oportunidade para resolvermos esta dificuldade”, afirmou o ex-vice líder nacional dos EUA entre 1993 e 2001, quando governou com Bill Clinton.
“O país sediou a Cúpula da Terra [Rio-92] muito bem. Estou muito otimista de que a COP30 será um sucesso. O que temos que evitar é um impasse, a falta de progresso. Uma das inovações do líder nacional Lula, liderada pela ministra do natureza Marina Silva, é o Global Ethical Stocktake [Balanço Ético Global], que é totalmente novo. O país é a primeira nação a ter uma ideia dessas. E eu acho que é uma inovação brilhante e pessoalmente estou ansioso por isso também”, complementou.
O Balanço Ético Global é uma iniciativa que propõe dar maior protagonismo à sociedade civil nas decisões climáticas. A ideia é promover eventos intercontinentais independentes que reúnam lideranças sociais, culturais, empresariais, científicas e políticas. As contribuições desses encontros farão parte de uma síntese global, que será levada até a presidência da COP30.
Tarifaço de Trump
Democrata, Al Gore voltou a falar de forma crítica sobre o tarifaço imposto pelo administração do republicano Donald Trump ao país. No início de julho, o líder nacional dos EUA anunciou tarifas de 50% para bens brasileiros, tendo como justificativa supostas perseguições às big techs estadunidenses e ao aliado Jair Bolsonaro.
Al Gore enfatizou o longo histórico de boas relações entre país e EUA, e chegou a pedir desculpas pelas ações de Donald Trump.
“A relação entre o país e os Estados Unidos não deve ser vista pelas lentes de Donald Trump, de Jair Bolsonaro, dos seus filhos ou de qualquer um de seus apoiadores. O povo dos Estados Unidos e o povo do país têm uma relação muito longa, maravilhosa e mutuamente benéfica. Isso continuará, aconteça o que acontecer”, afirmou Al Gore.
“É tradição no meu país que um cidadão não critique seu próprio líder nacional quando está em um país estrangeiro. Suponho que também seja impróprio da minha parte pedir desculpas por ele [Trump], mas peço desculpas. Estes são tempos perigosos, não apenas nos Estados Unidos”, complementou.