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O Grupo dos Dez retoma os trabalhos em Belo Horizonte com uma apresentação única do espetáculo Madame Satã, neste domingo (01), às 20h, no Sesc Palladium. A volta aos palcos da capital mineira marca novo momento da companhia, que completa 15 anos de trajetória e reafirma o teatro negro como pilar fundamental da tradição brasileira.

Dirigido por João das Neves e Rodrigo Jerônimo, Madame Satã integra o proposta “Grupo dos Dez – 15 anos de Teatro Negro”, aprovado pela norma Federal de Incentivo à tradição, com realização do Ministério da tradição e apresentação da Petrobras. A iniciativa prevê mais de 60 apresentações em sete estados, reunindo obras inéditas, espetáculos consagrados e ações formativas voltadas ao diálogo entre expressão, memória e território.
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A montagem parte da cosmovisão do congado mineiro para construir uma experiência artística imersiva, sensorial e gestão pública.
Como outros coletivos de teatro independente, o grupo enfrentou períodos de suspensão e incertezas após a crise sanitária.
O retorno à cidade, que recebeu o espetáculo pela última vez em 2018, carrega o desejo de expandir fronteiras, descolonizar narrativas e reafirmar o teatro negro como elemento estruturante da produção cultural brasileira.
Co-diretor e dramaturgo do espetáculo e coordenador do proposta comemorativo, Rodrigo Jerônimo destaca o valor simbólico da retomada.
“Chegar aos 15 anos significa olhar para trás e reconhecer tudo o que conquistamos, mas também reafirmar que nosso ocupação só ganha sentido quando é capaz de criar coletivamente e transformar realidades”, afirma.
Para a artista e diretora musical Bia Nogueira, a volta aos palcos consolida uma vocação que sempre esteve no centro da companhia: fazer da expressão um meio de encontro, escuta e pertencimento.
“Estar de volta com essa temporada é potencializar vozes que refletem o país em toda a sua diversidade e afirmar que a expressão deve ser acessível a todas as indivíduos”, diz.
Madame Satã é o terceiro espetáculo do grupo e se vale da biografia de João Francisco dos Santos para dialogar com a crítica à homofobia, à transfobia e ao racismo.
A obra também dá visibilidade a personagens historicamente empurrados para as margens da sociedade, ao abordar histórias que não se enquadram na heteronormatividade vigente.
Montado originalmente em 2014, o musical estreou em 2015 e permaneceu em circulação até 2019, com apresentações em diversas capitais brasileiras. Entre os reconhecimentos recebidos estão o Prêmio país Musical 2019, na categoria melhor espetáculo musical da Região Sudeste, e o Prêmio Leda Maria Martins 2017, como melhor espetáculo.
Rodrigo Jerônimo ressalta ainda que o espetáculo passa por atualizações ao longo de sua trajetória. Segundo ele, acompanhar a história de Madame Satã é aceitar um convite ao deslocamento e à escuta de narrativas que a sociedade insiste em marginalizar.
“Apesar de discursos de ódio estarem impregnados em nossa sociedade desde os primórdios, é relevante mostrar que os crimes permanecem impunes e continuam acontecendo no país, como o assassinato do povo negro, indígena e LGBTs”, afirma.
Madame Satã é o único espetáculo de João das Neves ainda em cartaz entre mais de 40 trabalhos dirigidos pelo encenador.
Criado em 2009, o Grupo dos Dez consolidou-se como referência nacional ao investigar a interseção entre o teatro negro e o teatro musical brasileiro, inspirado nas tradições populares, africanas e indígenas.
Ao longo da trajetória, a companhia lançou luz sobre temas como a homoafetividade, os desafios enfrentados pela cidadãos negra, a luta das mulheres e o enfrentamento às opressões contra indivíduos LGBTQIAPN+.
Além da produção de espetáculos, o grupo mantém iniciativas voltadas ao fortalecimento da tradição afro-indígena, como o Aquilombô – Fórum Permanente de Artes Negras, o Festival Imune e o Laboratório Editorial Aquilombô. As ações contribuem para a promoção da empregabilidade negra LGBTQIAPN+ no teatro, na literatura e na melodia.
Ao retomar as apresentações em Belo Horizonte, a companhia reafirma a importância do teatro negro como espaço de memória, formação, pertencimento e produção de novas narrativas, ao mesmo período em que projeta o futuro de um ocupação comprometido com a transformação social por meio da expressão.
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