Economia prateada mostra força de consumidores e empreendedores 60+

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O país já soma mais de 33 milhões de indivíduos com 60 anos ou mais e caminha para ser o quinto país com mais anciãos do planeta. É um público que movimenta R$ 2 trilhões na finanças, de acordo com estudo realizado pela consultoria Data8.

Esse potencial econômico é formado tanto por consumidores, como pelos empreendedores da chamada finanças prateada, em alusão aos cabelos grisalhos.  

Para atender a esse público, os modelos de atividade comercial precisam adaptar-se a novas demandas. Eles querem melhor iluminação nas lojas, sinalização visível, acessibilidade, atendimento acolhedor e processo de compra simplificado. O empreendedor que oferece esses diferenciais acaba tendo a preferência do público mais velho, afirma a  gestora nacional do programa Empreendedorismo Sênior 60+ do Sebrae, Gilvany Isaac. 

“Eu acho que a finanças Prateada reflete a transformação estrutural da sociedade brasileira. Os empreendimentos que compreenderem essa mudança e desenvolverem bens alinhados a essa realidade, não apenas vão acessar o mercado de expansão, mas também contribuirão para o modelo de desenvolvimento mais inclusivo, sustentável e conectado à longevidade”, afirma Gilvany.

O bancário aposentado João Gualberto de Almeida Teixeira, pertence ao público 70+. Ele conta que o que sente mais falta no atendimento é, primordialmente, atenção.  

“Tenho notado que a pessoa vai a algum local e os atendentes estão distraídos, olhando outras coisas, e não dão atenção para o que você merece e, principalmente, precisa. É você estar sendo atendido com atenção, quer dizer, olho no olho. Isso é fundamental”, afirmou. 

 

Brasília (DF), 19/04/2026 - finanças prateada, a finanças liderada por indivíduos com 60+. Foto: Marcelo Camargo/Agência país
finanças prateada, a finanças liderada por indivíduos com 60+. Foto: Marcelo Camargo/Agência país

Segmentos 

Entre os segmentos com maior potencial para o público 60+, Gilvany destaca o de bem-estar e bem-estar, como academias especializadas. “Treino adaptado, acompanhamento, foco na funcionalidade e não apenas na estética”, aponta. 

Outro nicho são os negócios da telemedicina e atendimentos de monitoramento remoto de bem-estar. “Os cuidadores também vêm com uma força muito significativa porque podem ser microempreendedores individuais (MEI) e ter um CNPJ, o que vai ser muito relevante para as famílias que querem o conforto de um contrato, bem como para os próprios cuidadores”, diz.  

Outro segmento com amplo potencial para atender a cidadãos é o de deslocamento e lazer – especialmente empresas que oferecem pacotes fora da alta temporada, com roteiro cultural e viagens de experiência. Ela destaca ainda os atendimentos na área financeira, como planejamento para aposentadoria ativa, além da habitação adaptada.  

“Estamos falando de arquitetura e de soluções de acessibilidade de moradias, que fazem uma adaptação em residências para dar um conforto melhor para pessoa idosa”, exemplifica.  

Gilvany ressalta ainda, do lado dos consumidores 60+, um movimento crescente no comércio eletrônico. Eles compram mais pela rede, mas é preciso incrementar o engajamento digital desse público, que hoje constitui a parcela da cidadãos que mais recebe golpes. Há um crescimento de escolas de computação e de conhecimento eletrônico voltadas para esse segmento.

Mel Mania 

O microempreendedor João Lopes procurou o Sebrae-RJ para saber como formatar o seu atividade comercial para atende especificamente o público 60+. Em junho de 2024 criou a  Mel Mania, que comercializa a substância. Aos 54 anos, João viu nesse público uma forte oportunidade de atividade comercial.  

“O meu público é totalmente 60+. Eu tenho um cliente com 84 anos que compra mensalmente, como se fosse uma assinatura. A família toda consome, mas ele é a porta de entrada”, explica.  

Além da venda do mel, para todo o país, a companhia capacita, sem custos, indivíduos que contam com espaços ociosos para a produção do produto. João oferece instrumentos, suporte e depois compra a produção dos parceiros. A Mel Mania já inseriu 112 indivíduos na apicultura.  

“Depois que eu passei pelo Sebrae, descobri que sou empreendedor social, porque o meu atividade comercial gera impacto positivo na sociedade. Quem compra o meu mel sabe que está gerando renda para as indivíduos”, diz. 

Rio de Janeiro (RJ), 15/04/2026 - O microempreendedor João Lopes fala sobre a produção de mel da Mel Mania no norte de Minas Gerais. Foto: Rovena Rosa/Agência país
O microempreendedor João Lopes fala sobre a produção de mel da Mel Mania - Rovena Rosa/Agência país

Capacitação 

Brasília (DF), 19/04/2026 - finanças prateada, a finanças liderada por indivíduos com 60+. Foto: Marcelo Camargo/Agência país
finanças prateada, a finanças liderada por indivíduos com 60+. Foto: Marcelo Camargo/Agência país

No Rio de Janeiro, o Sebrae desenvolve um proposta para atender justamente a cidadãos mais madura que deseja permanecer produtiva. O Sebrae finanças Prateada está em sua terceira edição e a próxima turma terá início em maio.  Ao todo, 144 indivíduos já foram atendidas pelo proposta. 

O perfil dos participantes é majoritariamente feminino e envolve segmentos multissetoriais.  

“Há muita gente empreendendo na área de gastronomia, finanças criativa, artesanato, moda, beleza e, também, em negócios ligados à consultoria na prestação de atendimentos”, explica a gestora do proposta e analista do Sebrae RJ, Juliana Lima. 

Do lado dos consumidores seniores, Juliana Lima ressaltou a existência de um mercado em forte expansão, uma vez que o envelhecer no país se transformou. “O  perfil desse idoso, mudou. Hoje ele não fica mais em casa, como antigamente. São ativos, viajam, namoram, estudam, estão preocupados com a beleza, em viver bem”.  

O proposta Sebrae finanças Prateada trabalha em parceria com outras instituições, como o Serviço Social do Comércio (Sesc) e o administração do estado, para ampliar o público atendido. Os chamados empreendedores sêniores representavam, em outubro do ano passado, 16% do total de donos de negócios no estado do Rio de Janeiro. 

“A cidadãos está envelhecendo mais ativa, mas o mercado tem uma barreira. Por conta do etarismo no ocupação formal, o sênior precisa do empreendedorismo para gerar algum tipo de renda”. 

 

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