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A classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos não traz nenhum benefício para o país neste momento. Essa é a avaliação do promotor de tribunal do Grupo de Atuação Especial de Combate ao delito Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, Lincoln Gakiya.

“Os Estados Unidos já classificaram essas organizações criminosas mexicanas, venezuelana, de El Salvador como terroristas e isso não diminuiu o poder dessas organizações que, inclusive, agem dentro dos EUA. Então, não vejo, em que pese as indivíduos estarem defendendo isso por uma politização do tema, o que pragmaticamente isso vai beneficiar”.
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O promotor concedeu entrevista na manhã desta sexta-feira (29) ao jornalista José Luiz Datena no programa Alô Alô país, transmitido pela Rádio Nacional. Para ele, a ação tomada pelo administração estadunidense pode atrapalhar a cooperação entre os dois países no combate às atividades criminosas, como o tráfico de drogas.“A CIA (Central de Inteligência dos EUA) passa a agir nesses casos e também os militares. Não só mais o FBI a DEA (Drug Enforcement Administration) e outras polícias. Isso [a recente classificação] pode fato prejudicar a cooperação que já existe. É um pouco perigoso para o país, na minha opinião, essa classificação”.
Na noite desta quinta-feira (28), os EUA anunciaram que passaram a designar as facções brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas e não mais como delito organizado.
Segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), para um grupo ser classificado como terrorista, é preciso que sua ação criminosa tenha motivação ou objetivo ideológico ou que sejam praticados por razões políticas, o que não é o caso do CV e nem do PCC.
Esta diferenciação jurídica feita agora pelos EUA, abre várias possibilidades de atuação dos norte-americanos em território brasileiro, como intervenção militar, sanções econômicas e pressão sobre o administração federal. Passa também a existir um potencial risco à soberania nacional.
Invasão
No entanto, Gakiya, que investiga o PCC há mais de 20 anos, considera pequena a chance de o exército americano atuar dentro do país nesse momento:
“Considero essa uma possibilidade bastante remota. Mas a legislação americana permite que se faça, inclusive, ações secretas de natureza militar fora do território norte-americano e sem anuência do Estado onde essas operações serão realizadas. Isso já ocorreu em vários lugares do planeta”, afirmou.
“Ocorreu aqui na Venezuela e no próprio México, ainda em que pese ter a participação do administração mexicano. A atuação dos EUA [no México] para capturar um líder do cartel mexicano causou danos colaterais grandes para a cidadãos mexicana, para os civis”, acrescentou.
Gakiya reforça que uma invasão militar norte-americana em território brasileiro é algo difícil, uma vez que existem tratados e acordos comerciais entre país e EUA que podem dificultar esse tipo de ação. “Não dá para comparar a força do estado brasileiro com a Venezuela”, apontou.
Ele defendeu o aprimoramento dos acordos de cooperação das investigações. “Tenho defendido a criação de equipes de investigação, ter forças-tarefas nos EUA e aqui no país para que possamos combater essas facções. Eles podem nos ajudar com recursos financeiros, com treinamento, com inovação”.
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