Com emprego aquecido, subutilização é a menor da história; entenda

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O mercado de ocupação aquecido tem apresentado reflexos em indicadores que vão além da taxa de desocupação. A investigação Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada nesta sexta-feira (26), revelou que o país alcançou a menor taxa de subutilização já registrada.

O índice chegou a 13,3% no trimestre móvel encerrado em maio. O recorde de baixa anterior pertencia ao último trimestre de 2025 (13,4%).

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Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que iniciou a série histórica da investigação em 2012.

A Pnad apura o comportamento no mercado de ocupação para indivíduos com 14 anos ou mais e leva em conta todas as formas de ocupação, seja com ou sem carteira assinada, além de temporários e por conta própria, por exemplo.

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O que é subutilização

A taxa de desocupação, conhecida popularmente como taxa de falta de trabalho, mostra o percentual de indivíduos que procuraram ocupação e não encontraram em relação ao total de indivíduos na força de ocupação. Até maio, o índice estava em 5,6%.

Já a taxa de subutilização é um indicador que mede a parcela da cidadãos em idade de trabalhar que não é plenamente aproveitada pelo mercado de ocupação e gostaria de trabalhar mais.

De acordo com o analista da investigação, William Kratochwill, o universo de subutilizados não abrange apenas os desempregados, mas, sim, três grupos de indivíduos:

  • desocupados: pessoa que efetivamente procurou uma vaga 30 dias antes da investigação
  • subocupados por insuficiência de horas trabalhadas: quem está disponível, quer trabalhar mais horas, mas não consegue uma ocupação para suprir as 40 horas semanais.
  • força de ocupação potencial: indivíduos desalentadas e não desalentadas.

Desalentados são aqueles que não procuram uma posição porque acreditam que não vão encontrar.

“Acham que não tem ocupação na região, ou que são muito jovens ou muito velhos para trabalhar, não esperam ter vaga apropriada para sua qualificação”, exemplifica Kratochwill.

Os não desalentados são os que querem trabalhar, estão disponíveis, mas não procuram vaga. Ou procuraram vaga, mas não estavam disponíveis para começar a trabalhar e recusaram o ocupação.

 

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Comportamento da taxa

No trimestre encerrado em maio, o número de subutilizados alcançou 15,1 milhão de indivíduos. Esse contingente representa recuo de 5,7% no trimestre (menos 920 mil), quando a taxa de subutilização era de 14,1%.

No trimestre até maio de 2025, o índice era de 14,9%. Em um ano, 1,9 milhão de indivíduos deixaram a condição de subutilizados.

“Mostra que o estoque de indivíduos, esse colchão de trabalhadores que podem ser absorvidas pelo mercado de ocupação, está diminuindo cada vez mais”, assinala Kratochwill.

A maior taxa já registrada na Pnad foi 30,7%, no trimestre até agosto de 2020. “Por causa da crise sanitária de crise sanitária-19”, contextualiza o analista do IBGE.

A maior taxa de subutilização antes da eclosão da crise sanitária (2020) havia sido 25%, no período de três meses até maio de 2019. Na época eram 28,4 milhões de indivíduos na condição.

Mercado aquecido

O analista William Kratochwill reconhece que a taxa de subutilização não é tão popular quanto a taxa de desocupação, “indicador mais fácil de entender e globalmente conhecido”, mas sinaliza que a análise do número é uma forma de sentir o mercado de ocupação aquecido.

“O mercado, de fato, está aquecido, está absorvendo toda mão de obra possível”, diz ele, que aponta efeitos potenciais na relação entre trabalhadores e empregadores.

“Se está ficando mais escassa, o valor da mão de obra vai ter que subir, as condições de ocupação, de qualidade das ofertas de ocupação têm que melhorar”, conclui.

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