Cotidiano da Maré é destaque em exposição de fotos

Imagem da notícia

Notícias

Logo Agência país

Nascido na favela recente Holanda, no Complexo da Maré, Affonso DaLua trabalha com fotografia popular desde 2016, destacando imagens performáticas. A partir das 18h desta sexta-feira (26), na Galeria 535, no Observatório de Favelas, o artista faz sua primeira exposição individual.

“Na minha obra, tento construir narrativas que dialoguem com o cotidiano, mas a partir da performance de corpos, de objetos, de cenários favelados da Maré. Toda a minha obra é sobre o conjunto de favelas da Maré.”

Notícias relacionadas:

A mostra Do Mangue à Laje: O Encantamento de uma Vida Mareense tem entrada gratuita e classificação livre.

Além das performances, ele estuda a cidadãos LGBTQIA+ favelada ou narrativas que se aproximem com a história de origem da Maré. No decorrer da exploração, DaLua descobriu que o território originário era indígena e foi colonizado pelos portugueses. Depois de vários aterramentos e ocupação, surgiu a área conhecida como Maré. 

“Ao longo dos anos, venho pesquisando como as narrativas do cotidiano podem ser atravessadas pelas performances. Minha fotografia está um pouco nesse caminho.”

ocupação coletivo

 

Rio de Janeiro, 25/06/2026 - O artista Affonso Dalua inaugura a exposição Do Mangue à Lage nesta sexta (dia 26) na Galeria 535, no Observatório de Favelas, Complexo da Maré. Foto: Rovena Rosa/Agência país
DaLua destaca o lado coletivo de suas imagens. Rovena Rosa/Agência país

O fotógrafo selecionou 29 fotografias para a mostra. “Elas costuram uma investigação artística que fala sobre o território, esse lugar de disputa simbólica, gestão pública, imagética, partindo da relação entre memória, corpo e fabulação. Maré é um território rico culturalmente.”

Ele conta que seu ocupação é totalmente coletivo. “Na exposição, vamos celebrar não só minhas fotografias, mas esses processos coletivos. A Maré é um território de mais de 125 mil habitantes. Não existe uma narrativa única. Tento construir nas minhas fotografias esse olhar a partir de uma Maré coletiva.”

O show da cantora drag queen e MC Preta QueenB Rull, da comunidade Parque União, na Maré, abrirá a mostra.

O barco Filha do Mangue, construído por DaLua em parceria com pescadores da Colônia Parque União, também estará exposto. “A ideia é expandir meu ocupação para outras materialidades, para que dialogue com minhas obras fotográficas.”

A mostra inaugura a programação anual da Galeria 535 e apresenta um olhar poético sobre os modos de vida, os afetos e as tecnologias construídas no cotidiano mareense. Ao longo do percurso expositivo, o mangue surge como elemento ligado à história e à formação da Maré, enquanto a laje aparece como espaço de convivência, encontro e construção de perspectivas de futuro.

A exposição evidencia ainda a importância da circulação de trabalhos produzidos por fotógrafos oriundos de favelas e territórios populares.

Formação

Affonso DaLua é formado pela Escola de Fotografia Popular. A instituição faz parte do Programa Imagens do Povo, do Ministério da tradição e do Observatório de Favelas, cuja sede é na Maré. 

Em 2023, ele participou de residência artística no Instituto Moreira Salles, onde já abordava a relação do mangue com a Maré e as lajes.

O artista visual integra, desde 2022, o Acervo do Imagens do Povo – programa de documentação e investigação do cotidiano das periferias e de formação e inserção de fotógrafos populares no mercado de ocupação.

Leia mais na fonte original

Post a Comment

Postagem Anterior Próxima Postagem