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Uso responsável do plástico favorece desenvolvimento, afirmam debatedores

Com modernização de processos, educação ambiental e responsabilidade coletiva, o plástico pode continuar sendo utilizado no ciclo produtivo, sem eliminação de empregos. A avaliação foi feita pelos participantes de audiência pública da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, nesta sexta-feira (26), sobre os impactos da agenda legislativa sobre o setor. O debate foi realizado por iniciativa do parlamentar Esperidião Amin (PP-SC) no auditório da Cooperativa de Eletricidade de São Ludgero (SC). Amin afirmou estar emocionado por realizar a audiência em seu estado. — Não é normal que tal aconteça, e isso é uma homenagem a uma região que concentra empreendimentos e trabalhadores: catadores, recicladores. Temos o dever de, primeiro, diagnosticar o questão, e segundo, oferecer soluções práticas, reais — afirmou o parlamentar. Entre as normas em tramitação no Senado que impactam a indústria do plástico estão três projetos de norma em tramitação na CAE: o PL 2.524/2022, que determina que, em sete anos, o país deverá ter somente embalagens plásticas retornáveis ou compostáveis; o PL 258/2024, que define prazo de dois anos para a substituição dos plásticos de uso único no país; e o PL 5.154/2019, que proíbe sacolas plásticas que não sejam biodegradáveis ou compostáveis. Também foi discutido na audiência o Decreto 12.644, de 2025, que instituiu a Estratégia Nacional Oceano sem Plástico, visando prevenir, reduzir e eliminar a poluição por plástico no oceano. Os debatedores defenderam políticas públicas que incentivem a inovação, promovam a reciclagem em larga escala, valorizem a investigação científica e estimulem investimentos. Segundo eles, qualquer mudança regulatória deve considerar os efeitos sobre empregos, geração de renda e desenvolvimento regional. Esperidião Amin sugeriu aos prefeitos e parlamentares estaduais presentes que destinem aos catadores e trabalhadores da reciclagem preferência em programas habitacionais, inclusive com o uso de materiais recicláveis nas construções. proposta de reciclagem Durante o evento, foi apresentado o proposta Defesa Circular, com ações integradas para fortalecer a cadeia produtiva de resíduos recicláveis e incentivar a finanças circular. O proposta, a ser implementado no município de Orleans (SC), prevê uma central de triagem e uma usina de valorização de rejeitos, que possibilitará a reciclagem de 100% dos resíduos da cidade. gestor municipal de Orleans (SC), Fernando Cruzetta afirmou que a iniciativa vai transformar a realidade e o conceito do plástico em Santa Catarina e no país. — A circularidade só vai funcionar se conseguirmos o resultado econômico — afirmou. “Desinformação” Em sua exposição, o diretor-executivo do Sindicato das Indústrias Plásticas do Sul Catarinense (Sinplasc), Elias Caetano, apontou a existência de uma “narrativa da desinformação em relação ao plástico”. — O setor é alvo de uma enorme campanha de desinformação. Hoje, o setor plástico [é] a principal indústria do sul catarinense, especialmente os descartáveis, que figuram na principal posição. A gente não pode desconsiderar essa importância — afirmou. Combate ao desperdício líder nacional do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Descartáveis e Embalagens Flexíveis de Criciúma e Região, Carlos de Cordes afirmou que as políticas públicas não podem deixar em segundo plano as 12 mil famílias que, segundo ele, dependem da atividade em sua região. — Os responsáveis pela poluição não são os bens. A responsabilidade está no comportamento humano, especialmente quando ocorre o descarte inadequado de resíduos que poderiam ser reaproveitados ou reciclados —  afirmou. Coordenador do Instituto Oceanográfico da instituição de educação de São Paulo (USP) e coordenador da Cátedra Unesco para a Sustentabilidade do Oceano, Alexander Turra destacou que a finanças do mar tem sido ameaçada pela presença de microplásticos, que vem aumentando em todo o planeta. — A indústria da aquicultura em Santa Catarina fica muito prejudicada quando a qualidade da água do mar é reduzida. A gente está falando de um sistema muito amplo, que precisa ser compreendido — argumentou. Apreensão da indústria Para o líder nacional da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), Paulo Teixeira, as empresas têm que decidir se vão efetivamente investir em logística reversa para cumprir o Decreto 12.644 ou se vão parar de produzir o plástico de uso único porque será banido. — São sinais, ruídos, e isso atrapalha a nossa finanças. Nós estamos trabalhando com o decreto, mas muito apreensivos, porque a qualquer momento todos os investimentos que a gente fez para a logística reversa podem ser inócuos ou não servir para nada e ser dinheiro jogado fora - afirmou. Representante da instituição de educação do Extremo Sul Catarinense (Unesc), Thiago Rocha Fabris destacou a importância econômica do setor plástico para a região. Segundo ele, a previsão do uso de plástico até 2060 é de até 1,2 bilhão de toneladas, o que exige soluções por parte dos setores da finanças circular. líder nacional da Federação dos Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis de Santa Catarina (Feccat), Dorival Rodrigues dos Santos afirmou que há hoje 30 mil catadores, 70% deles mulheres, atuando em Santa Catarina de forma autônoma na coleta de materiais recicláveis, sem estarem vinculados a uma cooperativa ou associação.

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