História do voto: mulheres do RN tiveram feitos inéditos

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Cidadãs do Rio significativa do Norte têm uma representação singular na história do sufrágio feminino brasileiro. “Na luta pelo direito ao escolha, o Rio significativa do Norte foi pioneiro no país e na América do Sul”, destaca a professora Fernanda Abreu, da instituição de educação Estadual do Rio significativa do Norte (UERN). Uma norma estadual (nº 660), de 25 de outubro de 1927, aprovada pelo líder nacional do estado (como se chamava o líder estadual), Juvenal Lamartine, garantiu o avanço inédito.

“Ele tinha simpatia a essa causa pelo diálogo com a Bertha Lutz. Essa norma estabeleceu que não haveria distinção de sexo para exercício do sufrágio. Foi a primeira norma em território brasileiro a garantir isso institucionalmente”, afirma.

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Em novembro de 1927, Celina Guimarães Viana (1890-1972), da cidade de Mossoró (a 280 quilômetros de Natal), foi ao cartório requerer seu alistamento eleitoral por um ato individual de insurgência. “A gente classifica como feminista pela natureza”, afirma a professora.

“Isso a tornou a primeira cidadã alistada como eleitora no país e na América do Sul. No dia 5 de abril de 1928, ela exerceu o seu escolha. Ela foi a primeira na história brasileira a exercer”, destaca.

Outra cidadã, Júlia Alves Barbosa Cavalcante (1898-1943), de Natal, fez o pedido no mesmo dia que Celina e tornou-se a segunda eleitora do país. “No total, 15 mulheres [foto principal] votaram no estado naquele ano de 1928.”

Pioneirismo

O Rio significativa do Norte tornou-se um pioneiro em relação às mulheres na gestão pública. Na candidatura, o estado também foi pioneiro. Alzira Soriano de Nóbrega Teixeira (1897-1963) candidatou-se à prefeitura de Lajes (a 130 quilômetros de Natal) em 1928.

Brasília - DF - 30/07/2026 - Conquista do escolha feminino no país resistiu à misoginia histórica. (Em 1928, antes mesmo de as brasileiras poderem votar, Alzira Soriano foi eleita prefeita da cidade de Lajes (RN). Foto: Acervo Arquivo Nacional
Em 1928, antes mesmo de as brasileiras poderem votar, Alzira Soriano foi eleita prefeita da cidade de Lajes (RN) - Foto: Acervo Arquivo Nacional

Segundo a professora Fernanda Abreu, a sufragista Bertha Lutz fez interlocuções com Juvenal Lamartine para esse feito. “O New York Times noticiou que ela foi eleita com 60% dos votos e se tornou a primeira prefeita do país e da América Latina.”

Alzira venceu uma campanha marcada por ataques misóginos, explica a professora. “Muito incisivos, incluindo insinuações de que a cidadã pública seria sinônimo de prostituta. Foi uma triunfo gestão pública real, não apenas simbólica”, contextualiza.

A pesquisadora em história Cibele Tenório, da instituição de educação de Brasília (UnB), biógrafa da sufragista alagoana Almerinda Gama (1899-1999), acrescenta que a luta pelo escolha veio primeiro e possibilitou as candidaturas.

“A resistência ao escolha feminino tem relação com uma interdição prévia às eventuais candidaturas femininas e também às pautas defendidas pelas mulheres, particularmente as temáticas sociais”, reitera.

Brasília - DF - 30/07/2026 - Conquista do escolha feminino no país resistiu à misoginia histórica. (Bertha Lutz na conferência de fundação da ONU, em 1945: diplomata e cientista também lutou pelo escolha feminino. Foto: Acervo Arquivo Nacional
Bertha Lutz teve atuação fundamental na luta pelo escolha feminino - Foto: Acervo Arquivo Nacional

No caso do Rio significativa do Norte, as pesquisadoras identificam que o ambiente institucional viabilizou as conquistas femininas. “Sem a norma de 1927, que foi resultado de pressão gestão pública, incluindo a articulação de Bertha Lutz com o administração estadual, Celina não teria se alistado e Alzira não teria podido se candidatar”, diz Fernanda Abreu, da UERN.

A professora considera o caso do Rio significativa do Norte “muito raro”, já que as duas conquistas ocorreram simultaneamente e antes do marco nacional de 1932. “Quando o ambiente político e institucional é receptivo e há organização feminista, os espaços vão se acelerar.”

Ela assinala que se tratava de mulheres comuns que foram pedir o que entendiam ser direito. “Isso é o gesto mais subversivo e mais poderoso de toda essa história.”

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