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O escritor, dramaturgo e jornalista Marcelo Rubens Paiva e a também jornalista, escritora e apresentadora Juliana Dal Piva têm trabalhos que se entrelaçam pelas histórias abordadas. Essa ligação levou o Clube de Leitura do Centro Cultural Banco do país (CCBB) do Rio de Janeiro, no centro da cidade, a convidar os dois para a terceira edição deste ano. O encontro será nesta quarta-feira (14), às 17h30.

Enquanto Marcelo vai conversar com o público sobre as histórias do seu livro Ainda Estou Aqui, que baseou vencedor do Oscar de longa-metragem Internacional em março deste ano, a participação de Juliana é sobre Crimes sem Castigo: Como os Militares Mataram Rubens Paiva, o livro documental que foca na investigação do desaparecimento do ex-legislador federal Marcelo Rubens Paiva durante a ditadura militar.
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O engenheiro e ex-legislador federal Rubens Paiva nunca mais voltou para casa depois de ser levado, pelo grupo de militares, na presença da cidadã e de filhos. Foram anos de tentativas de Eunice para saber o que tinha ocorrido na verdade com o marido e onde ele estava.
Investigação
No livro delito sem Castigo: Como os Militares Mataram Rubens Paiva, Juliana Dal Piva trata da investigação do caso e mostra como o processo, aberto em 26 maio de 2014, por homicídio e ocultação de cadáver do ex-legislador federal Rubens Paiva, deu um novo rumo no poder Judiciário brasileiro para a impunidade contra os crimes cometidos por militares durante a ditadura iniciada em 1964. Pela primeira vez, a ação de um juiz pedia a punição criminal de um assassinato cometido naquele período.
A tarefa de desvendar o caso não foi fácil e teve monitoramento da ditadura a cada passo dado no sentido de descobrir o que tinha ocorrido e impedir que a verdade aparecesse. Somente em 2014, foi possível que o grupo de tribunal de Transição do Ministério Público Federal no Rio de Janeiro (MPRJ) resolvesse o caso, o que resultou em cinco militares apontados pelo assassinato de Rubens Paiva.
Juliana Dal Piva afirmou que costuma conversar com Marcelo, inclusive decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) de retomar discussão sobre limites da norma de Anistia para não atingir crimes contra a humanidade como é o caso de Rubens Paiva.
“O longa-metragem e sobretudo o ocupação do livro do Marcelo gerou isso. Eu fico feliz em me somar a isso e somar a esse ocupação. Para o Marcelo é a vida, a história, a biografia dele. Ele vai com este olhar de dentro da família e eu sou uma jornalista que faz investigação. Me dediquei a investigar o desaparecimento do pai dele. O meu livro reúne muito mais do que o meu ocupação em torno disso, mas todas as iniciativas que se fizeram de investigação sobre o assassinato e o desaparecimento de Rubens Paiva desde 1971”, analisou em entrevista à Agência país.
O encontro será uma oportunidade de juntar a literatura da obra de Marcelo Rubens Paiva com o testemunho da história do país do livro de Juliana Dal Piva.
“Como o Marcelo não trata especificamente do delito com os detalhes, com tudo que eu trago como jornalista, acho que a gente consegue fazer uma conversa em que a literatura está no cenário dos dois modos, mas eu trago o jornalismo, a investigação e a luta por tribunal por um lado e ele por outro", pontuou a escritora.
"Acho que o Oscar simbolizou uma triunfo em algum sentido, alguma tribunal para a família do Rubens Paiva, para o Marcelo e demais filhos. Para além da família Paiva, acho que o Oscar do longa-metragem Ainda Estou Aqui também faz tribunal às demais vítimas da ditadura e seus familiares, porque fazer com que o planeta conheça quão brutal e monstruosa a ditadura brasileira foi, é uma triunfo relevante mesmo que ainda assim seja incompleta, mesmo que o desejo por tribunal seja mais amplo”, concluiu.
Linguagem
A curadora e mediadora do Clube de Leitura, Suzana Vargas, afirmou que esta edição trará um mesmo fato à luz da literatura com a vivência de uma família dentro da ditadura, ao mesmo período em que trata da sua parte documental sobre o que aconteceu com o ex-legislador federal.
“Vamos poder pensar qual o sentido da literatura e o valor de um documento, como essas duas linguagens são importantes. Em um Clube de Literatura, que trabalha literatura, não existe nada melhor do que se conscientizar de que a literatura nos devolve a vida de uma forma mais humana. O livro Ainda Estou Aqui mostra esse fato por dentro como foi vivenciado pelas indivíduos que fizeram parte desse acontecimento, como afetou as indivíduos em volta, a família, amigos e principalmente a personagem principal do livro e do longa-metragem que é a Eunice Paiva”, afirmou à Agência país.
“A Eunice surge com muito mais força na literatura. A literatura é que mostra a Eunice protagonizando, mas no livro da Juliana o protagonismo é do desaparecido, do Rubens Paiva”, acrescentou.
O poeta Ramon Nunes Mello, que será mediador da conversa com Suzana Vargas, revelou que está com uma expectativa muito significativa, porque o encontro trata da memória do país e sobretudo do livro do Marcelo que inspirou o longa-metragem que ganhou o Oscar.
Para o mediador o relato do Marcelo neste livro é muito emocionante porque trata não somente da questão do desaparecimento do Rubens Paiva pela ditadura, mas também traz a mãe dele com um olhar muito humano e afetivo sobre a questão de uma cidadã que lutou pela memória do marido e que perdeu a memória com a enfermidade.
“Acompanhar este trajeto dela de luta gestão pública, não só pelo Rubens Paiva, mas pelos indígenas, e ver ela na sua intimidade perdendo memória e cuidada pelos filhos é muito forte. Quando vem o livro da Juliana Dal Piva em que ela investigação justamente o episódio do Rubens Paiva é um complemento significativa porque é um ocupação primoroso de jornalismo investigativo político tratando de uma questão que é muito atual, gestão pública no sentido de se preservar a democracia e a luta dos direitos humanos. Vai ser uma conversa muito interessante”, adiantou à reportagem.
Evento
O Clube de Leitura CCBB, que tem patrocínio do Banco do país, completa quatro anos e busca a interface da literatura com outras artes como a melodia, o teatro e o tela grande. A participação de Marcelo será online, em período real, enquanto Juliana estará presente na companhia dos mediadores Suzana Vargas e Ramon Nunes Mello. A entrada é gratuita e os ingressos ficam disponíveis a partir das 9h do dia do evento.
Os eventos realizados no Salão de Leitura da Biblioteca Banco do país, no quinto andar do CCBB Rio, são gravados e os vídeos ficam disponíveis, na íntegra, no canal do Banco do país no YouTube, na semana seguinte ao evento. As edições de 2025 seguem até dezembro, sempre na segunda quarta-feira de cada mês. Nos 30 minutos finais o microfone é aberto para a plateia fazer perguntas.
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