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Um pedido de vista coletivo feito pelas lideranças do PSDB e do PL na Comissão de Constituição e tribunal (CCJ) da Câmara dos Deputados adiou, nesta quarta-feira (15), a votação sobre a constitucionalidade da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221 de 2019, que acaba com a escala de seis dias de ocupação por um de descanso (6x1).

Temendo atrasos nessa votação, o líder nacional Luiz Inácio Lula da Silva enviou ao Congresso, na terça-feira (14), um proposta de norma (PL) com urgência constitucional para acabar com a escala 6x1 e reduzir a jornada de 44 para 40 horas semanais. O PL com urgência precisa ser votado em até 45 dias ou tranca a pauta do plenário da Câmara.
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O parecer do legislador Azi ainda precisa ser aprovado pela maioria da CCJ. Os deputados Lucas Redecker (PSDB-RS) e a Bia Kicis (PL-DF) pediram vista para ter mais período para analisar o tema.
“[O parecer do relator] foi protocolado pela manhã e o relator aqui, habilmente, leu todo o parecer na íntegra, porém, eu e outros deputados temos o interesse de ler minuciosamente em virtude desse parecer e desse texto serem um tema sensível. É prudente nós termos um prazo de debate nesse pedido de vista”, afirmou Redecker.
O parlamentar gaúcho ainda criticou o fato de o líder nacional Lula ter enviado um PL com urgência constitucional para a Casa, o que, segundo ele, “enterra a discussão da PEC”.
“Pelo nosso regimento interno, temos até um prazo de 40 sessões [do plenário da Câmara] para debater uma [PEC na] comissão especial. O prazo que o administração protocolou o regime de urgência será até 45 dias. No dia de hoje, 44 dias. Ou seja, não se vencerá o período hábil de debater, na comissão especial, o prazo dessas PECs”, completou.
O legislador Rubens Pereira Júnior (PT-MA) rebateu que o PL do administração apenas antecipa um proposta que depois poderá ser colocado na Constituição por meio da PEC em tramitação na Câmara.
“Um proposta não prejudica o outro. Pelo contrário, ajuda, fortalece. O proposta foi encaminhado pelo líder nacional Lula por um motivo especial: líderes da oposição afirmaram publicamente que iriam obstruir a tramitação da PEC. O objetivo, segundo eles, é não deixar isso votar”, afirmou.
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Os presidentes do PL, Valdemar Costa Neto, e do União país, Antônio Rueda, prometeram trabalhar para não deixar votar o fim da escala 6x1. A fala ocorreu em um encontro com empresários em São Paulo, em fevereiro. Juntos, os dois partidos somam 139 dos 513 deputados da Casa.
A PEC em tramitação na CCJ é de autoria do legislador Reginaldo Lopes (PT-MG), mas a proposta foi apensada à PEC de autoria da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), que defendeu a admissibilidade do texto na comissão.
“Que os patrões possam entender que não há produtividade, não há finanças, com o colaborador adoecido, com o colaborador esgotado, com o colaborador exausto. Esta matéria é por mais período de descanso, mas ela também é por qualidade de vida”, afirmou Erika.
Não houve falas contra o mérito do proposta na sessão da CCJ desta quarta-feira até o fechamento desta reportagem.
A admissibilidade
O relator Paulo Azi defendeu a admissibilidade da PEC 221, ou seja, rejeitou os argumentos que defendiam que a proposta seria inconstitucional devido, entre outros motivos, ao impacto econômico que a ação poderia causar, o que violaria a autonomia financeira dos estados e municípios.
“Não há necessidade de previsão de estimativa do impacto orçamentário ou financeiro, pois a determinação constante do Artigo 113 do ADCT [Ato das Disposições Constitucionais Transitórias] não atinge as PECs”, afirmou.
Azi acrescentou que ainda há a possibilidade de “serem discutidas e avaliadas medidas de contenção do impacto sobre estados e municípios quando da discussão do mérito, oportunidade em que poderão ser articuladas formas de compensação econômica”.
Sobre o argumento de que a ação constituiria restrição excessiva da negociação coletiva entre patrões e empregados, defendendo que a escala seja definida por meio dessas negociações, o legislador destacou a assimetria de poder entre as partes.
“Verifica-se uma assimetria de poder na relação entre capital e ocupação, o que se agrava com a fragilidade financeira de muitos sindicatos. Esse estado de coisas evidencia que a simples autonomia negocial coletiva dos agentes do mercado de ocupação é insuficiente para promover avanços na temática da redução da jornada e da escala de ocupação”, escreveu Azi no relatório.
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