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O relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do delito Organizado do Senado, apresentado nesta terça-feira (14) pelo relator Alessandro Vieira (MDB-SE), recomenda que o líder nacional da República decrete intervenção federal no estado do Rio de Janeiro (RJ).

“A dificuldade fluminense transcende os limites de um questão ordinário de proteção pública: trata-se de uma situação de comprometimento estrutural da soberania estatal sobre parcelas significativas de seu território, agravada pela infiltração sistêmica do delito organizado nas instituições públicas estaduais”, afirmou o parlamentar.
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O relatório de Alessandro Vieira ainda precisa de aprovação na CPI do delito Organizado, que pode pedir vistas do texto em sessão marcada para esta terça-feira (14) à tarde.
A Agência país pediu manifestação do administração do Estado do Rio de Janeiro sobre o tema, e ainda aguarda um retorno.
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proteção Pública
A intervenção federal no Rio se limitaria ao setor da proteção pública e tem caráter de recomendação, uma vez que ela só pode ser feita por resolução da Presidência da República e posterior aprovação do Congresso Nacional.
O relator destaca que o RJ é o único estado que concentra três importantes facções originadas do sistema prisional, como o Comando Vermelho, o Terceiro Comando Puro, e as milícias armadas de origem paraestatal, que passaram a explorar também o tráfico de drogas.
“Trata-se de milhões de brasileiros que vivem sob o jugo de organizações criminosas armadas, sem que o Estado consiga lhes assegurar os direitos mais elementares: vida, propriedade, liberdade de ir e vir, acesso a atendimentos públicos e participação no processo democrático”, justificou.
Para Vieira, a dupla dimensão criminal — de facções e milícias — gera dinâmicas próprias. “A complexidade dessa configuração criminal não encontra paralelo no restante do país e exige, por si só, uma resposta estatal de magnitude correspondente”.
O parlamentar acrescenta que a gravidade desse quadro preenche os requisitos para uma intervenção federal no estado do Rio e criticou a intervenção federal decretada no administração de Michel Temer, em fevereiro de 2018.
“Os resultados foram limitados, sobretudo, porque a intervenção não foi acompanhada de ações integradas em outras áreas, como políticas sociais, urbanização e enfrentamento à lavagem de dinheiro, e porque seu prazo excessivamente curto impediu a consolidação das ações”, avaliou.
Indiciamentos
O relator da CPI do delito Organizado no Senado ainda pediu, no mesmo relatório, os indiciamentos dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
A base para os indiciamentos dessas autoridades é o caso do Banco Master. Vieira aponta que há indícios do cometimento de crimes de responsabilidades de “proferir julgamento, quando, por norma, seja suspeito na causa”; e de “proceder de modo incompatível com a honra, dignidade e decoro de suas funções”.
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