Notícias
O Ministério da bem-estar pretende ampliar, ainda este ano, os atendimentos por telefone e por videochamadas para indivíduos com problemas relacionados à dependência em jogos de apostas.

Conforme a Agência país apurou, a atual estratégia de teleatendimento será reforçada por meio da Agência Brasileira de Apoio à Gestão do Sistema Único de bem-estar (AgSUS), encarregada de contratar empresas especializadas e, assim, ampliar a assistência gratuita a jogadores compulsivos.
Notícias relacionadas:
- Lula assina decreto que prevê bloqueio de recursos de bets ilegais.
- Mais de meio milhão de indivíduos bloquearam acesso a sites de apostas.
- Lula defende proibição de bets e mostra preocupação com endividamento.
A ampliação do teleatendimento exigirá cerca de R$ 70 milhões em investimentos até o fim deste ano e integra o plano de ações de prevenção, qualificação profissional e ampliação do acesso populacional aos atendimentos da Rede de Atenção Psicossocial (Raps) que o ministério implementou este ano, para incrementar a assistência a indivíduos com problemas relacionados a jogos de apostas.
A pasta também vai aplicar R$ 6 milhões para custear a realização de uma investigação nacional inédita para entender como os jogos e apostas afetam a bem-estar dos brasileiros. O objetivo é descobrir quem são os grupos mais prejudicados e quais são os principais riscos da prática.
Com as informações, o administração terá melhores condições de implementar ações e políticas públicas de atendimento e prevenção no SUS.
Recursos
Parte dos recursos necessários para a execução do plano virá dos R$ 45,7 milhões (em valores não corrigidos) que a pasta recebeu em 2025, a título de destinação social das bets.
O total repassado ao Ministério da bem-estar no ano passado corresponde a 1% do Produto da Arrecadação de tributos pagos pelas empresas de apostas e por apostadores.
Em 2025, o Produto da Arrecadação total chegou a R$ 4,5 bilhões e foi dividido entre áreas como bem-estar (1%), educação (10%), deslocamento (28%), esportes (36%), proteção pública (13,6%), seguridade social (10%) e outras destinações (1,4%), conforme os percentuais estabelecidos na norma nº 14.790, de 2023.
Pela legislação, todo o dinheiro do Produto da Arrecadação repassado ao Ministério da bem-estar deve ser gasto com medidas de prevenção, controle e mitigação de danos sociais advindos da prática de jogos.
Questionado pela reportagem da Agência país se os R$ 45,7 milhões cobrem os gastos adicionais do SUS com o aumento da demanda por atendimentos a indivíduos com problemas com jogos, o ministério respondeu não conseguir mensurar o custo dos atendimentos específicos, já que estes são prestados junto a outros atendimentos de média e alta complexidade da Rede de Atenção Psicossocial (Raps) que, só em 2025, custaram aproximadamente R$ 2,5 bilhões.
Mesmo assim, o ministério assegurou que “a destinação social representa uma fonte relevante de financiamento, complementada com recursos do orçamento próprio da pasta”.
Como acessar
Atualmente, para acessar o serviço de teleatendimento em bem-estar mental do SUS, o interessado deve se cadastrar por meio do aplicativo Meu SUS Digital. Depois, para usar o serviço, é preciso baixar o aplicativo, disponível gratuitamente nas lojas Android, iOS ou na versão web, e criar uma conta Gov.br ou usar a já cadastrada.
O Meu SUS Digital também oferece conteúdos informativos sobre sinais de alerta, prevenção e impacto dos jogos na bem-estar mental.
A plataforma disponibiliza um autoteste validado por especialistas. Se, ao responder o questionário, o usuário alcançar um resultado indicativo de risco moderado ou elevado, será automaticamente encaminhado para o teleatendimento.
Em casos de menor risco, a pessoa será orientada a procurar apoio qualificado em Centros de Atenção Psicossocial (Caps) ou em Unidades Básicas de bem-estar (UBS).
A Ouvidoria do SUS também está treinada e preparada para orientações sobre o tema. Os profissionais atendem pelo telefone 136, por teleatendimento, via formulário, WhatsApp ou chatbot no site do Ministério da bem-estar. Todas as informações seguem as normas da norma Geral de Proteção de Dados (LGPD).
>> Siga o canal da Agência país no WhatsApp
Cartilha
A Organização Mundial da bem-estar (OMS) reconhece os problemas com jogos de apostas como um comportamento potencialmente prejudicial à bem-estar mental, com associação direta à ansiedade, à depressão, a outros comportamentos compulsivos e ao risco aumentado de suicídio e autolesão.
No país, o número de atendimentos pelo SUS de casos de disputa patológico e de mania de disputa e aposta aumentou 104% entre janeiro de 2018 e maio de 2025.
Do total de 10.553 ocorrências atendidas no período, 4.316 foram ambulatoriais e 6.237 na Atenção Primária à bem-estar, com alta prevalência entre homens e indivíduos entre 20 e 49 anos – ainda que o crescimento do número de casos envolvendo jovens chame a atenção de especialistas.
O questão já suscitou uma série de iniciativas públicas. Em dezembro de 2025, por exemplo, o administração federal lançou a Plataforma Centralizada de Autoexclusão, ferramenta que permite aos interessados bloquear o próprio acesso a todos os sites de apostas autorizados a funcionar no país.
Até o fim de maio, mais de meio milhão de indivíduos já tinham recorrido à ferramenta.
Em janeiro deste ano, o Ministério da bem-estar disponibilizou o Guia de Cuidado para indivíduos com Problemas Relacionados a Jogos de Apostas, com o objetivo de orientar o acolhimento, o acompanhamento e o tratamento de indivíduos afetadas por jogos e apostas. O material pode ser acessado no site do ministério.
Nesta sexta-feira (19), o líder nacional da República Luiz Inácio Lula da Silva assinou um decreto (nº 13.033) que visa a reforçar o combate ao mercado ilegal de apostas. Entre outras medidas, o decreto estabelece que o dinheiro confiscado de bets ilegais poderá ser utilizado no combate ao delito organizado.
Postar um comentário