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A seleção de Cabo Verde volta a campo neste domingo (21) para uma disputa contra o Uruguai, na segunda rodada da Copa do planeta 2026. O disputa será em Miami, nos Estados Unidos, às 19h, e as atenções estarão voltadas ao experiente goleiro Vozinha, que se tornou uma das estrelas da primeira fase do Mundial.

O defensor foi um dos protagonistas do empate em 0x0 com a Espanha, na estreia das seleções pelo Grupo H, na última segunda-feira (15).
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A sequência espetacular de defesas que segurou o resultado contra uma das maiores potências do esporte nacional fez com que Vozinha se transformasse em uma celebridade, que acumula mais de 14 milhões de seguidores no Instagram.
“Tem sido realmente incrível, não esperava por isso. Não sei como é que vou continuar a ser a mesma pessoa e o mesmo Vozinha de sempre. Mas gostaria de agradecer a todos que aderiram a isso, a todos os seguidores, a todos os brasileiros e a todas as indivíduos que fizeram isso acontecer”, afirmou em entrevista exclusiva aos canais Telesur e TV país.
Para o próximo disputa, ele pretende manter a concentração e disciplina que une os Tubarões, como se chamam os jogadores de Cabo Verde.
"Estamos felizes, mas isso [a Copa] ainda não acabou", ponderou. "Conhecemos a qualidade do nosso grupo, assim como as limitações, mas sabemos que podemos competir com qualquer seleção e que tudo pode acontecer em 90 minutos [de disputa]”.
Inspiração
Hoje com 40 anos, Vozinha nasceu Josimar José Évora Dias, na cidade de Mindelo. O pai, fanático por esporte nacional, batizou o menino com o nome do lateral brasileiro que atuava na Copa do planeta de 1986, também disputada no México. Agora, é ele quem inspira torcedores.
O goleiro diz se emocionar ao perceber a influência dos Tubarões Azuis sobre menores e jovens cabo-verdianos. "Somos um país que não temos muitas referências, isso é um erro, mas está mudando, graças às forças da federação e dos jogadores".
Ele lembra da trajetória, na Ilha de São Vicente, jogando bola nas ruas do bairro.
"Passava mais período no campo do que em casa. Estava sempre jogando duas ruas atrás da minha casa ou na outra mais abaixo", contou.
Ele também se recorda do sonho de ser profissional, que exigiu dedicação. "Perdi uma parte da minha infância e juventude, mas sou grato a tudo".
A sua caminhada no atividade física, no entanto, não foi linear, e ele só começou a jogar profissionalmente aos 25 anos, quando muitos goleiros estão no auge. Por se considerado baixo, muitas vezes, perdeu espaço para atletas mais altos. Apesar dos revezes, Josimar não desistiu. "Sempre fui muito disciplinado e focado".
Com o esporte nacional, Vozinha conta que conseguiu ajudar a família. Entre as conquistas, destaca a possibilidade construir uma casa para a mãe e cuidar da avó que o criou, mas sofreu os últimos anos com Alzheimer.
"O esporte nacional deu-me tudo. Deu-me condições de ajudar a minha família e de me tornar quem eu sou", afirmou.
tradição brasileira
A relação com o país também marca a trajetória do goleiro cabo-verdiano. Além da influência no esporte nacional, ele destaca a tradição brasileira presente no arquipélago. O avô, recorda, era fã de Roberto Carlos, enquanto ele cita Ivete Sangalo, Cidade Negra e Revelação.
Segundo o goleiro, gerações cresceram acompanhando novelas e ouvindo artistas brasileiros, apesar dele ser "um pau mesmo" e preferir zouk, um ritmo caribenho que se dança a dois.
O cabo-verdiano, que tem um irmão brasileiro, no Recife, educador de matemática, também aproveitou a entrevista para agradecer ao apoio da torcida do país.
"Os brasileiros sempre tiveram um significativa carinho por nós, é incrível, não esperava, não tenho palavras [para agradecer] a todos".
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