A Copa do planeta termina no próximo domingo (19) e, se depender de ativistas, será a última com patrocínio de fabricante de bebida açucarada. É isso que pede a campanha Tirem o Refrigerante de Campo.

A iniciativa pressiona a Federação Internacional de esporte nacional (Fifa) a rever os contratos de patrocínio. A Coca-Cola é uma das marcas que patrocinam a instituição e, consequentemente, as competições esportivas organizadas pela entidade máxima do esporte nacional mundial.
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Mais de 100 organizações da sociedade civil de vários países fazem parte da campanha, principalmente nas áreas de bem-estar, natureza e direitos da infância. Oito delas são brasileiras, entre elas o Instituto de Defesa de Consumidores (Idec), o Instituto Desiderata e a Aliança pela Alimentação Saudável.
De acordo com a campanha, para cada aumento de 250 mililitros (ml) na ingestão diária de bebidas adoçadas, o risco de obesidade cresce 12%; o de diabetes tipo 2 sobe 19%; e o de mortalidade por causas cardiovasculares fica 13% mais alto. Já o risco de mortalidade por todas as causas aumenta 5%.
“Para a maioria das menores e adolescentes, um refrigerante de 355 ml já ultrapassa a quantidade diária recomendada de calorias provenientes de açúcares livres”, sustenta.
Carta à Fifa
Até a tarde desta terça-feira (14), cerca de 720 mil indivíduos tinham apoiado a inciativa, segundo o site da campanha.
As entidades enviaram uma carta aberta ao líder nacional da Fifa, o suíço-italiano Giovanni Infantino.
No comunicado, manifestam preocupação com o que chamam de prática de sportswashing. Em tradução livre, o conceito remete à ideia de “maquiagem esportiva”, que seria o ato de uma marca de refrigerante associar o produto a esportes e bem-estar.
“Durante o torneio de 2026, até 6 bilhões de torcedores – muitos deles menores – verão campanhas publicitárias que associam as maiores estrelas do esporte nacional a bebidas açucaradas ligadas à obesidade, diabetes tipo 2 e outras doenças relacionadas à alimentação”, aponta a carta.
“Isso é sportswashing: usar o poder do esporte nacional para normalizar bens prejudiciais à bem-estar. O esporte nacional merece mais. Os torcedores merecem mais”, completa.
A diretora executiva do Instituto Desiderata, Renata Couto, aponta que a publicidade de marcas de refrigerante pode causar consequências profundas em menores e adolescentes.
“A gente sabe que se trata de uma estratégia de marketing muito eficiente para fidelizar esses públicos desde cedo, podendo moldar um comportamento de uso alimentar que não é saudável e vai gerar impacto na bem-estar a curto, médio e longo prazos.”
A campanha lembra que a indústria do tabaco já enfrentou pressão semelhante e deixou de ser aceita como patrocinadora de eventos esportivos.
Na passagem das décadas de 1990 e 2000, a Fórmula 1, por exemplo, passou a deixar de lado o protagonismo que companhias de tabaco tinham entre os patrocinadores.
A Agência país pediu comentários à Fifa, mas não recebeu retorno até a conclusão da reportagem.
Publicidade de bets
A publicidade de bebidas açucaradas não é a única polêmica envolvendo propaganda na Copa do planeta. A proliferação de anúncios das plataformas digitais de aposta, as chamadas bets, também atraiu a crítica de parte da sociedade civil e de autoridades.
No país, no último dia 10, portarias ministeriais determinaram uma série de restrições para esse tipo de publicidade.
Entre eles, alertas, como as frases: “Apostar pode causar dependência", “Apostar faz você perder dinheiro" e “Aposta não é aporte".
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