Notícias
Entender as bibliotecas como um espaço para além do acesso à informação, mas também como um lugar de conscientização e desenvolvimento do pensamento crítico, é o que levou a pesquisadora Luciane Cavalcante a criar o proposta Medeia.Info. Uma iniciativa de mediação cultural em bibliotecas, focada no enfrentamento a agressão de gênero.

“A gente precisa entender que o acesso à informação tem que também vir potencializado de ferramentas para estruturar essa informação para um uso. Então, por exemplo, eu posso colocar livros que falam sobre feminicídio, que falam sobre agressão, mas o que eu posso fazer de atividade dentro das bibliotecas?”, explicou a pesquisadora.
Notícias relacionadas:
- Spray de pimenta para cidadã é ação paliativa, diz promotora .
- Página do TJRJ já teve 3,2 mil pedidos de medidas protetivas em 2026.
- Fatores sociais e estruturais empurram mulheres para cesarianas.
“Foi nessa parte que eu comecei a me envolver com os estudos de gênero e com os estudos feministas, com as perspectivas latino-americanas em relação a essa questão. E, aí, eu comecei a envolver pesquisas para entender melhor o que as bibliotecas fazem em relação a isso”.
Bibliotecas escolares
As ações do proposta Medeia.Info incluem palestras, cursos e debates voltados a profissionais que atuam em bibliotecas e outros espaços culturais. A proposta é abordar como esses profissionais podem não apenas aprender a reconhecer as manifestações que compõem a agressão de gênero como também a conduzir ações de combate e conscientização a partir da tradição.
Entre os jovens em idade escolar do sexo masculino, a disseminação de termos misóginos, popularizados na rede através de conteúdos masculinistas, vem ascendendo um alerta nas escolas. Essa ideologia, que prega a superioridade do indivíduo dentro de uma “hierarquia social”, ganhou força no meio digital pela capacidade de mobilização e alcance da rede.
Segundo a investigação TIC Kids Online país 2024, 83% das menores e dos adolescentes de 9 a 17 anos que usam rede no país têm ao menos um perfil em mídias sociais, e são alvos fáceis desse tipo de conteúdo, por ser um período relevante para a formação da identidade e da consciência.
Luciane Cavalcante conta que um dos trabalhos realizado nos projetos é voltado justamente a bibliotecas escolares, pensando em atividades e mediações para menores e adolescentes que estimulem a participação e a conscientização social também por meios lúdicos.
“Hoje, com a questão dos jogos digitais, os adolescentes são muito chamados a isso. Então, por exemplo, por que não colocar para os adolescentes para criarem um disputa de enfrentamento?”, diz ela, mas pontua que a falta de recursos de muitos espaços é um desafio para o proposta.
“No contexto escolar, infelizmente, muitas bibliotecas ainda são relegadas, então, é relevante também essa construção conjunta disso. Trabalhar com as menores é importantíssimo, mas o bibliotecário não vai conseguir fazer isso sozinho”.
Inciativa Medeia.Info
O proposta é vinculado ao Instituto Brasileiro de Informação em conhecimento e inovação (BICT), com apoio de outras instituições, como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ) e a Fundação de Amparo à investigação do Estado do Rio de Janeiro (Faperj).
Nas mídias sociais, o principal ocupação é a democratização de pesquisas, traduzindo artigos acadêmicos complexos para uma linguagem clara e contemporânea, com o apoio de profissionais do serviço social, da psicologia e do direito. Já presencialmente, o proposta realiza cursos de extensão e outras ações na Biblioteca Parque Estadual, no centro do Rio de Janeiro.
“A ideia é expandir para outras bibliotecas, trabalhar em parcerias com bibliotecas escolares, com universitárias e comunitárias, porque é um elo diferente. Elas partem da própria necessidade daquela comunidade, é uma construção social daquela comunidade”, finalizou Luciane Cavalcante.
*Estagiária sob supervisão da jornalista Mariana Tokarnia.
Postar um comentário